uma vídeo instalação com o Managana

O Managana, software livre para publicação digital desenvolvido pelo Ateliê Ciclope, é a tecnologia central por trás da instalação Visite Minas Gerais apresentado no stand do Brasil na Expo Milano 2015. Seu uso garantiu que o conteúdo estivesse disponível em diversas plataformas, além do próprio material encontrado na exposição.

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Mas como o Managana tornou isso possível? Para descobrir um pouco mais das funcionalidades desse conjunto de ferramentas, disponível para download livre neste site, resolvemos mostrar um passo a passo dessa montagem, indo da diagramação do conteúdo, passando pela exportação de apps móveis e chegando, finalmente, à vídeo instalação.


DIAGRAMANDO O CONTEÚDO

Uma das primeiras definições sobre o conteúdo foi a de que ele seria formado por um conjunto de vários vídeos mostrando diversas faces de Minas Gerais. Como grande parte do público alvo não conhece a localização do estado, optamos por incluir um grande número de mapas e transições enfatizando a geografia do Brasil e do Estado (essa parte do conteúdo foi produzida a partir da ferramenta Google Earth Pro, atrelada a uma licença de uso emitida pelo Google). Os assuntos abordados foram vários: águas e riquezas naturais, gastronomia, indústria, mineração, agronegócio, economia criativa… bastante coisa!

Uma vez que finalizamos o roteiro, passamos à produção desses vídeos a partir de imagens de arquivo (próprio e de terceiros) e de novas filmagens. Todo esse conteúdo foi dividido em um grande número de micro vídeos (em torno de 210, somando 40 minutos). Esses arquivos precisavam agora ser organizados e diagramados em um material interativo. É aí que a primeira ferramenta do Managana entra: o editor.

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O editor é uma ferramenta de diagramação visual que permitiu não só organizar os vídeos na forma como queríamos, como também gerir as interações do usuário e a navegação automática. Enquanto a ideia de interação é de conhecimento comum, talvez a de navegação automática não seja tanto assim. Visite Minas Gerais é, primariamente, uma instalação para um espaço público. Sendo assim, ela permanece sem interações por grandes períodos de tempo. Nesses intervalos é preciso que ela prossiga exibindo o conteúdo de alguma forma. Um exemplo do que fizemos nesses casos é o mapa de Minas Gerais mostrado na figura acima. Ele dá acesso a 10 conteúdos diferentes: Estrada Real, estâncias hidrominerais, mineração, indústria, agronegócio, gastronomia, sertão, vale do Jequitinhonha, Belo Horizonte e turismo. Caso não haja interação, a instalação entra em cada um desses conteúdos, na ordem descrita, mostra de dois a cinco vídeos sobre o tema aleatoriamente e volta ao mapa do Estado, passando para o próximo. Esse tipo de programação é possível com o uso do Progress Code, uma espécie de linguagem de programação bastante simplificada que desenvolvemos para o Managana.

Se você quiser saber mais sobre o editor do Managana, uma ótima forma de começar é seguindo o tutorial Getting started with Managana: creating for web and mobile devices. Esse guia e o próprio Managana podem ser baixados aqui: http://www.managana.art.br/downloads/


DISPONIBILIZANDO O CONTEÚDO

Conteúdo montando. E agora?

A primeira coisa a se fazer foi disponibilizar todo o material online na forma de um site web e de apps para os sistemas Android e iOS. Para a web o processo é simples: enquanto você diagrama, a versão para navegadores já vai ficando pronta (você pode conferir aqui). A versão atual do Managana usa primariamente o plugin Flash Player para exibir o conteúdo, mas ela conta também com uma versão HTML5 que, no entanto, não é tão eficiente para a exibição de um conteúdo muito rico de vídeos em dispositivos móveis – estamos trabalhando nisso para as próximas versões ;-). Caso queira saber mais sobre o player HTML5 atual do Managana, consulte o guia Getting started with Managana: creating for HTML5.

Para resolver essa questão, preferimos, então, criar apps para dispositivos móveis Android e iOS. Como fazer isso? Simples: temos à mão a ferramenta AppWizard, capaz de converter um conteúdo criado no Managana em aplicativos sem grandes complicações. O guia Getting started with Managana: creating for web and mobile devices explica o funcionamento desse software.

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Depois disso, foi bastante simples criar uma imagem qrcode capaz de redirecionar aparelhos móveis para o download do app. Esse qrcode foi impresso e disponibilizado em diversos locais da instalação. Isso permitiu que as pessoas não só vissem o conteúdo quanto o levasse para a casa.

Disponibilizar um conteúdo assim levanta uma questão importante: como melhorar o uso do app em conexões móveis? A ação mais direta foi a recompactação dos vídeos em um formato mais adequado à web. Escolhemos o velho conhecido FLV (onvp6) com uma taxa de 600kbps. Mesmo assim, o tamanho do arquivo final do aplicativo continua proibitivo, em torno de 280MB. Para solucionar isso, criamos o app na forma de um navegador que acessa os vídeos a partir de um servidor web (uma das opções oferecidas pela ferramenta AppWizard). O app ficou pequeno e as pessoas assistem os vídeos por stream.

Nesse ponto, o Managana oferece um recurso não muito comum: caso o usuário queira (e o criador do material permita), ele pode fazer o download de todo o conteúdo do servidor para acesso offline. E com um bônus: sempre que o material online for atualizado, o app Managana avisa sobre as mudanças e permite fazer um novo download apenas com as modificações.

Com isso terminamos a parte móvel do Visite Minas Gerais. Agora vamos à montagem da vídeo instalação!


ESTRUTURA DA VÍDEO INSTALAÇÃO

A instalação foi dividida em uma estrutura com dois videowalls de 3×3 telas de 46 polegadas cada, dois monitores touchscreen e dois tablets Android. São dois conjuntos idênticos de videowall+touchscreen+tablet. Um deles foi usado exclusivamente para o conteúdo sobre águas e riquezas naturais, enquanto o outro trouxe conteúdo sobre turismo, economia, etc.

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Tanto os videowalls quanto as telas touchscreen foram ligadas a computadores Windows. Nesses computadores foi instalada a ferramenta Showtime (Windows, OSX). Esse software, parte do Managana, permite gerir exibições públicas. São muitas opções, entre elas:

  • definição de tamanho de telas, múltiplos monitores/projetores;
  • inclusão/remoção de elementos visuais;
  • definição de conteúdo;
  • controle remoto;
  • uso do Microsoft Kinect;
  • uso de webcam;
  • ações de teclado;
  • comunicação via TCP;
  • ações temporizadas;
  • interação com o dispositivo Leap Motion;
  • video mapping.

Para a instalação Visite Minas Gerais, cada computador videowall foi conectado a um touchscreen via rede. Para isso, endereços IP fixos foram dados a cada computador. A configuração no Showtime ficou mais ou menos assim:

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O conteúdo exibido nos touchscreens é praticamente o mesmo dos videowalls, mas ele traz botões para navegação, algo que não aparece no display grande. O resultado que queríamos alcançar era ter uma navegação automática gerida pelo wall com a possibilidade de que toques nos touchscreens mudassem o conteúdo em ambos. Difícil? Não: usamos as configurações TCP do Showtime para conectar o programa executando nos dois computadores. Com isso, pudemos usar o Progress Code MESSAGE->startPCodeSend e MESSAGE->endPCodeSend para executar comandos no Showtime conectado, garantindo a sincronia.

Uma última funcionalidade incluída na instalação foi o uso de controles remotos, que são apps específicos que podem ser gerados usando o já conhecido AppWizard. Esses controles remotos precisam de uma conexão web para funcionar, o que não tínhamos no local. Para resolver esse problemas, recorremos ao pacote “launcher” do Managana (na verdade uma versão do servidor web XAMPP portátil com o Managana já instalado). Isso permitiu o uso do controle remoto mesmo na rede local.

Com o controle remoto foi possível dar a um monitor da exposição opções de controle da exibição como pausa e abertura imediata de conteúdos. Além disso, usamos um recurso interessante: ao diagramar algum material no Managana, podemos fornecer informações extra que não são exibidas junto ao conteúdo:

Esse texto, no entanto, é mostrado na tela do controle remoto quando o conteúdo relacionado é mostrado. Isso permitiu que o monitor pudesse ter mais informações em mãos no caso de ser questionado por algum visitante da instalação. O uso do controle remoto e todas as outras possibilidades da ferramenta Showtime podem ser vistos no guia Getting started with Managana: it’s showtime!


CONCLUINDO

A instalação Visite Minas Gerais foi um conteúdo muito interessante de ser concebido e montado. Esse texto traz algumas informações sobre como isso foi feito a partir do uso do Managana, mas existem muitas outras aplicações da ferramenta. Caso se interesse, não deixe de visitar a página de download e conferir os guias “getting started” para mais informações.

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